outubro 2015 archive

Como o esporte pode ajudar em seu trabalho

Muitos estudos comprovam o quanto atividade física é importante para saúde, longevidade, disposição etc etc etc. Mas quero abordar um aspecto diferente: como melhorar seu desempenho profissional com uma competição esportiva.

E aqui quero compartilhar uma história pessoal que se iniciou há 6 ou 7 anos, quando me dei de presente de aniversário uma inscrição em uma prova de triathlon. Naquela época costumava nadar e correr algumas provinhas de corrida de rua. Apesar de gostar de esportes, não treinava e nem fazia aulas.

O triathlon é uma modalidade esportiva que reúne 3 esportes em uma única atividade física, que precisa ser executada de forma sequencial e sem interrupção: natação, ciclismo e corrida, nesta ordem. Existem algumas variações mas as 4 principais provas se diferenciam pelas distâncias percorridas. A saber:

  • Sprint: 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida
  • Olímpico: 1,5km de natação, 40km de ciclismo e 10 km de corrida.
  • Ironman 70.3: 1,9km de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida
  • Ironman: 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida

Me dei de presente uma inscrição na etapa Sprint do Troféu Brasil de Triahlon, realizada  em São Paulo, na USP. Nunca tinha feito estas modalidades em um único dia e nem imaginava que a raia da USP fosse “liberada para natação” – e não é! Mas nos dias de prova falam que está mais limpa que as praias de Santos. Será?! Não sei se isso é bom ou se é ruim! Um dia antes da prova fui dar uma voltinha em uma bicicleta de ciclismo emprestada por um amigo do trabalho, o George Vieira. Foi difícil me acostumar com aquela “sapatilha presa no pedivela”. Por pouco não caí. Ô negócio complicado!

Com sorriso estampado no rosto do começo ao final da prova, depois de quase 2 horas de competição. Pagar mico correndo de sapatilha na área de transição, ter que recolocar a corrente umas 3 vezes ao longo da prova e nem sair correndo com capacete fizeram desanimar. Pelo contrário! Agora sou um triatleta!

Depois de alguns anos pagando mico e fazendo uma ou outra provinha, resolvi procurar uma assessoria esportiva. Foi quando conheci a 5Ways.

Não era assíduo nos treinos, mas no começo de 2012 falei para minha treinadora que gostaria de fazer um Ironman até o final daquele ano. Ela me deu apoio mas disse que se eu quisesse ser um Ironman, teria que me preparar por 3 anos!

3 anos? Como assim? Eu até poderia fazer em 2012, mas ela disse que deveria procurar outra assessoria.

Triathlon é um esporte que você tem que gostar e quanto mais você faz, mais você gosta e melhor fica. Infelizmente este esporte virou “hype” nos últimos anos, ganhou muitos adeptos, virou esporte de elite e tem muita gente fazendo apenas por status. Essa galera até faz o Ironman, mas logo depois se machucam e demonizam o esporte. Não era o que buscava para mim,

O projeto Ironman foi dividido em 3 anos: no 1º ano teria que “correr” as seis etapas do Troféu Brasil na distância Sprint. Se gostasse e sentisse bem, estaria apto para participar do Internacional de Santos no início de 2013 – o dobro da distância (distância olímpica). Se gostasse, teria que correr novamente todas as etapas do Trofêu Brasil na distância olímpica. Se gostasse, no ano seguinte estaria apto a fazer meu primeiro ironman 70.3. (70.3 se refere a distância percorrida em milhas, equivalente a 113,14km).

Era muito “se isso…”, “se aquilo..” e em 3 anos tudo pode mudar e eu até mesmo desistir desse esporte.

Planejamento

Essa foi a primeira grande lição aprendida no triathlon. Para realizar uma prova difícil e longa, é necessário traçar um plano de execução – com milestones de controle –  e apoio profissional para preparação física, mental e nutricional.

Não quero ser piegas, mas definir uma meta é fundamental. Ajuda na preparação, na motivação e no foco. E aqui muitas pessoas desistem ou “não encontram tempo”. O planejamento força você rever seus horários e suas prioridades.

Investimento para preparação

Esta foi a segunda grande lição do triathlon. Sim, o triathlon é um esporte caro mas isso não quer dizer que é inacessível. As melhores bikes custam o preço de um carro popular, é verdade, mas você acha que uma bike de última geração faz diferença? Sim, faz. Mas só se você for atleta de ponta e estiver brigando por milésimos de segundos. O que não é meu caso e nem o seu, suponho.

Mais do que o investimento em equipamento, incrições das provas (que são caras) e viagens para treinos e provas, é importante investir em qualidade nutricional. Suplementos e vitaminas são importantíssimos para que este esporte não “estrague” sua saúde. É um esporte agressivo e que exige muito do corpo. Exames ergoepirométricos, exames de sangue, testes isocinéticos e fisioterapeutas devem entrar na conta. Você até consegue fazer uma prova sem nada disso, mas é arriscado e você corre risco de colocar em xeque sua longevidade neste esporte. A parte mais importante dessa lição é: não somos autosuficientes. Precisamos de apoio profissional em diversas áreas e se você tem uma meta e um objetivo, deve sempre contar com ajuda.

Resiliência

Ao longo de três anos pensei em desistir todos os dias. Levantar às 4h40 para treinar, treinar de manhã e de noite, sentir dor, cançaso e ter fome de leão. Inverno e chuva também não ajudam. Ser resiliente passa ser uma obrigação, pois tudo e todos parecem conspirar contra. Você não pode se deixar abater. Você não se dá o direito de fraquejar. Sofri estresse físico e mental o tempo todo. É importante aprender a administrar o estresse. O estresse te faz crescer, te faz melhor. O estresse, por incrível que pareça, é bom e necessário.

E a sensação mais gostosa é quando a prova está chegando e você se sente pronto.

A prova é um momento de comemoração. Todo sofrimento foi nos treinos e na preparação. Prova é para ser curtida, é para ser celebrada.

Antes mesmo de cruzar a linha de chegada, passa um filme na cabeça: tudo que passou, sofreu, sorriu, treinou, doeu, todo mundo que te ajudou para isso se tornar realidade…

Cruzar a linha de chegada é um momento único e inesquecível, mas é efêmero.

O que importa é a jornada e não a conquista em si.

Quando olho as medalhas, não lembro da linha de chegada. Lembro da jornada. Os amigos que fiz, o planejamento, o investimento e a resiliência.

Muito mais do que exibir uma medalha, tenho orgulho de dizer que faço triathlon e que sou um ironman.

Challenge Florianopolis 2014

1º Ironman 70.3 – 1.9km swin, 90km bike e 21km run em 5h49. Challenge Florianopolis 2014

Pratico triathon há 7 anos. Em 2014 fiz o Challenge 70.3, em Florianópolis/SC e em 2015 fiz o Ironman 70.3 Miami.

Ironman 70.3 Miami - 2015

Ironman 70.3 Miami – 2015

Entregando felicidade

As pessoas podem não se lembrar exatamente o que você fez ou disse. Mas elas sempre se lembrarão como você as fez sentir.

Zappos

Essa frase resume o espírito da Zappos, maior vendedor de sapatos online, que foi comprada pela Amazon em 2009.

No livro “O mundo é plano“, o autor Thomas Friedman explora o conceito de que os países  tendem a ficar nivelados do ponto de vista competitivo, no mercado global, pois as fronteiras regionais, geográficas, políticas e históricas estão ficando cada vez menos relevantes. E uma das forças niveladoras citadas no livro é a Internet.

Com a popularização de sites de e-commerce e marketplace, notamos que o “preço também é plano”.

O que isso significa? Hoje em dia a diferença entre o valor de um produto em uma loja física é muito próximo do valor nas lojas virtuais. Para quem trabalha com multicanais/omnichanel, o valor do produto é exatamente o mesmo.

E o que diferencia uma empresa de outra já que o preço está virando comódite?

A Zappos aposta no marketing de relacionamento. E aqui estamos falando de confiança, valor percebido e fidelidade.

Esta estratégia faz com que aproximadamente 75% dos clientes sejam compradores recorrentes. Isso é notável para qualquer empresa e, em especial, para lojas virtuais, já que os concorrentes estão a 1 clique de distância – literalmente.

Zappos

No livro Satisfação Garantida, Tony Hsieh conta sua história de empreendedor, a criação da Zappos, a turbulência financeira do fim da bolha .com, a compra pela Amazon, a transparência com clientes e funcionários e de como criou o melhor atendimento (SAC) baseado em 4 pilares (4 C’s):

  • Clothing (Roupas)
  • Customer (Clientes)
  • Culture (Cultura)
  • Community (Comunidade)

Clothing (Roupas): a Zappos queria se diferenciar oferecendo a maior variedade de catálogo disponível até então. Tony fez questão de controlar a loja, o atendimento, a logística e o estoque. Não queria terceirizar para não perder o controle e nem a qualidade.

Isso deu condições para oferecer Frete Grátis e uma política de 365 dias para devolução da compra. Este último importantíssimo pois ainda não sabia se as pessoas comprariam sapatos sem experimentar – naquela época a compra por catálogo representava 5% das vendas do mercado de calçados (US$ 40 bilhões).

“Nunca terceirize suas competências principais” – Tony Hsieh

Customer (Clientes): aqui a Zappos foi disruptiva. Com objetivo de surpreender o cliente e fazê-lo dizer “Uau” a cada interação, Tony aboliu scripts no atendimento, tirou o limite máximo de tempo que um atendente pode ficar na linha com o cliente (o famigerado TMA: tempo médio de atendimento), ofereceu atendimento 24×7, antecipava as entregas e, se o cliente não encontrasse o produto, os atendentes são instruídos a indicar lojas dos concorrentes.

No livro Tony conta alguns casos interessantes que exemplificam essa preocupação: um atendimento que demorou 8 horas, o tratamento especial que deram para uma viúva que devolveu um sapato do marido recém falecido e até a ajuda a uma cliente que estava com fome no meio da madrugada – a Zappos ajudou a localizar 3 pizzarias perto dela e que ainda estavam abertas (este caso foi com um amiga da Tony, para testar se realmente o atendimento diferencial funcionava).

“A Felicidade não está nos produtos, mas na experiência” – Tony Hsieh

Culture (Cultura) – a Zappos investe pesadamente para que essa cultura de atendimento e transparência seja o DNA da empresa. Para conseguir tal feito, eles popularizaram a “Holocracia”, um sistema de gestão que abre mão de hierarquia e dos chefes, onde as pessoas são escolhidas para determinadas funções de acordo com suas aptidões e necessidades da empresa (leia sobre holocracia na Exame.com).

Para que todos funcionários estejam engajados e vivenciem esta cultura, eles são “obrigados” a passar por 4 semanas de treinamento, divididos em atendimento e logística (handling and shipment) – duas áreas vitais da empresa.

Toda essa preocupação transmite um valor à marca. Hoje em dia com internet, celular, redes sociais etc… a gestão da marca não está mais 100% nas mão da empresa. Só com uma cultura interna e forte uma marca consegue ser transparente e autêntica como a Zappos.

Qualquer funcionário da Zappos está autorizado a falar com repórteres, pois todos são considerados “embaixadores” da marca. Eles tem acesso direto ao CEO e anualmente a empresa publica um livro contando as melhores histórias de colaboradores, clientes e fonecedores, sem edição ou censura. Essa nova forma de gestão virou case de sucesso e hoje em dia a Zappo promove tours para jornalistas e visitantes.

A cultura “Delivering Happiness” virou missão. Virou projeto. Saiba mais em: http://deliveringhappiness.com/.

“WOW… did people respond!”

A propósito….a época da compra, a Amazon se comprometeu a não mudar e não interferir na cultura da Zappos.

Community (Comunidade) – a Zappo adicionou este quarto “C” recentemente pois queria dar o próximo passo à marca. Queriam evoluir seu propósito e agora querem ser a maior empresa com foco na comunidade. Muito mais do que doações, a Zappos quer estar integrada à comunidade.

Aqui você assiste uma palestra sobre a história e a estratégia da Zappos, por Tony Hsieh, na SXSW 2013:


 

E você? Como se sente quando precisa ligar para o SAC de uma empresa?

Pense – ou lembre – das ligações para Net, Telefonica, TIM (Judiiiiiiith!!!!), Vivo, Claro, Bancos e por aí vai….

Qual a chance de você dizer “Uau, que atendimento maravilhoso!”??

Infelizmente a Zappos ainda não entrega no Brasil. Infelizmente a cultura Zappos ainda não faz parte da cultura dos SACs no Brasil.

Zappos

Zappos

O livro Satisfação Garantida- No Caminho do Lucro e da Paixão é leitura obrigatória para todas empresas que querem atender e se relacionar com o cliente de forma humana e respeitosa.

O livro é permeado de frases de efeito, e-mails enviados pelo Tony para seus funcionários e histórias que contextualizam a cultura Zappos.

 

Comece algo que faça a diferença

Blake Mycoskie

Blake Mycoskie

Conheça a incrível história de Blake Mycoskie, fundador e CEO da TOMS Shoes, empresa que doa sapatos, óculos, água, materiais para parto e treinamento para reduzir o impacto do bullying nas escolas.

Tudo começou em 2006, quando Blake tirou uns dias de férias para visitar novamente a Argentina. Dessa vez para dançar tango, jogar polo e beber Malbec. Sua primeira visita àquele país foi em 2002, quando participou do programa The Amazing Race da CBS e perdeu o prêmio de 1 milhão de dólares por apenas 4 minutos de diferença para o primeiro colocado.

Nesta última visita, Blake notou que muitos argentinos usavam Alpargatas, não importando o nível social e nem o ambiente: jogadores de polo, estudantes, cidade, fazenda, baladas etc.

Mas será que as Alpargatas teriam mercado nos EUA?

Esta foi a primeira pergunta que veio à cabeça, pois naquela época Blake estava envolvido em sua quarta startup. Um empreendedor nato! Entretanto, aquela viagem era para diversão e não para trabalho.

No final da viagem ele conheceu um projeto voluntário de doação de sapato para crianças carentes. A completa dependência da boa vontade dos doadores fazia com que este projeto não tivesse fôlego financeiro e nem capacidade de escalar e crescer. Durante alguns dias ele acompanhou os voluntários e visitou dezenas de vilarejos, testemunhando o impacto real – e triste – de como a falta de um sapato afeta a saúde das crianças: dos calos às infecções.

Ele poderia doar dinheiro, pedir ajuda para amigos, parentes e conhecidos, mas… mais cedo ou mais tarde…essa “fonte iria secar”. O projeto precisava mais do que doações casuais. As crianças precisavam de doações constantes. O projeto precisava de um fluxo confiável e constante de financiamento.

Solução: negócios e empreendedorismo! Por que não criar um negócio rentável que ajude a prover sapatos para estas crianças?

“Vou criar uma empresa de sapatos que fará um novo tipo de Alpargatas. Para cada par vendido, vou doar um novo sapato para uma criança que precise”. E assim nasceu a TOMorrow Shoes, a TOMS, com o lema One For One ™.

TOMS - Shoes for Tomorrow

Bandeira da Argentina?

Sem experiência no ramo e sem falar espanhol, Blake e seu amigo argentino Alejo procuraram sapateiros locais e “fábricas” que poderiam produzir as tais alpargatas diferentes. Depois de alguns testes e protótipos, Blake voltou para os EUA com 250 pares.

Ele convidou os amigos para um jantar e contou sobre sua viagem. Falou do tango, do polo, do Malbec, do projeto de caridade e finalmente contou a ideia por trás da TOMS. Bingo! Os amigos adoraram a ideia e naquela noite todos voltaram para casa calçando alpargatas.

Blake conseguiu emplacar o novo tipo de sapato em uma loja chamada American Rag, depois de contar a história da TOMS para o gerente comercial. Naquela ocasião, ele vendia um ou dois pares por dia.

O negócio decolou quando um editor do Los Angeles Times conheceu e publicou um artigo sobre a história da TOMS. Naquele dia ele recebeu 2.200 pedidos! Em pouco tempo a notícia foi publicada na Vogue, Time, People, O, Elle e Teen Vogue.

No final daquele verão, a TOMS ultrapassou a marca de 10.000 pares vendidos. Apenas 9 meses depois de ter a ideia, Blake atingiu o número alvo para volta à Argentina e cumprir a promessa de doação. Ele levou a família, o estagiário que ajudava no despacho dos pedidos, os amigos que apoiaram no início dessa aventura, Alejo e os sapateiros envolvidos no projeto.

Foram 10 dias distribuindo 10.000 pares de sapatos para crianças pobres em diversos vilarejos. A cada parada ele se emocionava. Lágrimas corriam em seu rosto a cada sapato entregue. Choro de amor, felicidade e realização. Ele entendeu o real significado de  “tears of joy”.

Essa experiência mudou a vida de Blake e, com certeza, teve impacto em milhares de crianças na Argentina.

TOMS é mais do que um sapato. É parte de uma história, de uma missão e de um movimento que qualquer um de nós pode participar e ajudar.

O livro conta como é possível ganhar dinheiro, atingir a realização pessoal e fazer um impacto positivo no mundo tudo ao mesmo tempo. É inspirador!

Depois de mais de 1 milhão de pares doados, a TOMS diversificou seus produtos e agora vende óculos, bolsas, roupas, acessórios e até café. De forma correlata, a TOMS também diversificou sua missão. Agora ela doa tratamento ocularágua, materiais para um parto mais seguro e treinamento para reduzir o impacto do bullyng nas escolas. O que mais vem por aí?

Apoie a causa da TOMS comprando um dos seus produtos!

Conheça mais o projeto TOMS Giving Project no TED.

Comece Algo Que Faça A Diferença

Comece Algo Que Faça A Diferença

Comece Algo Que Faça A Diferença – Mycoskie, Blake
Em “Comece Algo Que Faça a Diferença”, Blake Mycoskie conta a história da TOMS, uma das empresas de calçados que mais cresce no mundo, além de partilhar ensinamentos que aprendeu com outras empresas inovadoras como ‘Method, charity-water, Feed Projects e Terra Cycle’. Mycoskie apresenta seis dicas para criar ou transformar sua vida, ou sua empresa – desde descobrir o cerne da sua história, até ser engenhoso sem recursos; de superar seus medos e dúvidas a incorporar o ato de doar em todos os aspectos de sua vida.

Compre o livro “Começe Algo Que Faça A Diferença” na Saraiva.