Como o esporte pode ajudar em seu trabalho

Muitos estudos comprovam o quanto atividade física é importante para saúde, longevidade, disposição etc etc etc. Mas quero abordar um aspecto diferente: como melhorar seu desempenho profissional com uma competição esportiva.

E aqui quero compartilhar uma história pessoal que se iniciou há 6 ou 7 anos, quando me dei de presente de aniversário uma inscrição em uma prova de triathlon. Naquela época costumava nadar e correr algumas provinhas de corrida de rua. Apesar de gostar de esportes, não treinava e nem fazia aulas.

O triathlon é uma modalidade esportiva que reúne 3 esportes em uma única atividade física, que precisa ser executada de forma sequencial e sem interrupção: natação, ciclismo e corrida, nesta ordem. Existem algumas variações mas as 4 principais provas se diferenciam pelas distâncias percorridas. A saber:

  • Sprint: 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida
  • Olímpico: 1,5km de natação, 40km de ciclismo e 10 km de corrida.
  • Ironman 70.3: 1,9km de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida
  • Ironman: 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida

Me dei de presente uma inscrição na etapa Sprint do Troféu Brasil de Triahlon, realizada  em São Paulo, na USP. Nunca tinha feito estas modalidades em um único dia e nem imaginava que a raia da USP fosse “liberada para natação” – e não é! Mas nos dias de prova falam que está mais limpa que as praias de Santos. Será?! Não sei se isso é bom ou se é ruim! Um dia antes da prova fui dar uma voltinha em uma bicicleta de ciclismo emprestada por um amigo do trabalho, o George Vieira. Foi difícil me acostumar com aquela “sapatilha presa no pedivela”. Por pouco não caí. Ô negócio complicado!

Com sorriso estampado no rosto do começo ao final da prova, depois de quase 2 horas de competição. Pagar mico correndo de sapatilha na área de transição, ter que recolocar a corrente umas 3 vezes ao longo da prova e nem sair correndo com capacete fizeram desanimar. Pelo contrário! Agora sou um triatleta!

Depois de alguns anos pagando mico e fazendo uma ou outra provinha, resolvi procurar uma assessoria esportiva. Foi quando conheci a 5Ways.

Não era assíduo nos treinos, mas no começo de 2012 falei para minha treinadora que gostaria de fazer um Ironman até o final daquele ano. Ela me deu apoio mas disse que se eu quisesse ser um Ironman, teria que me preparar por 3 anos!

3 anos? Como assim? Eu até poderia fazer em 2012, mas ela disse que deveria procurar outra assessoria.

Triathlon é um esporte que você tem que gostar e quanto mais você faz, mais você gosta e melhor fica. Infelizmente este esporte virou “hype” nos últimos anos, ganhou muitos adeptos, virou esporte de elite e tem muita gente fazendo apenas por status. Essa galera até faz o Ironman, mas logo depois se machucam e demonizam o esporte. Não era o que buscava para mim,

O projeto Ironman foi dividido em 3 anos: no 1º ano teria que “correr” as seis etapas do Troféu Brasil na distância Sprint. Se gostasse e sentisse bem, estaria apto para participar do Internacional de Santos no início de 2013 – o dobro da distância (distância olímpica). Se gostasse, teria que correr novamente todas as etapas do Trofêu Brasil na distância olímpica. Se gostasse, no ano seguinte estaria apto a fazer meu primeiro ironman 70.3. (70.3 se refere a distância percorrida em milhas, equivalente a 113,14km).

Era muito “se isso…”, “se aquilo..” e em 3 anos tudo pode mudar e eu até mesmo desistir desse esporte.

Planejamento

Essa foi a primeira grande lição aprendida no triathlon. Para realizar uma prova difícil e longa, é necessário traçar um plano de execução – com milestones de controle –  e apoio profissional para preparação física, mental e nutricional.

Não quero ser piegas, mas definir uma meta é fundamental. Ajuda na preparação, na motivação e no foco. E aqui muitas pessoas desistem ou “não encontram tempo”. O planejamento força você rever seus horários e suas prioridades.

Investimento para preparação

Esta foi a segunda grande lição do triathlon. Sim, o triathlon é um esporte caro mas isso não quer dizer que é inacessível. As melhores bikes custam o preço de um carro popular, é verdade, mas você acha que uma bike de última geração faz diferença? Sim, faz. Mas só se você for atleta de ponta e estiver brigando por milésimos de segundos. O que não é meu caso e nem o seu, suponho.

Mais do que o investimento em equipamento, incrições das provas (que são caras) e viagens para treinos e provas, é importante investir em qualidade nutricional. Suplementos e vitaminas são importantíssimos para que este esporte não “estrague” sua saúde. É um esporte agressivo e que exige muito do corpo. Exames ergoepirométricos, exames de sangue, testes isocinéticos e fisioterapeutas devem entrar na conta. Você até consegue fazer uma prova sem nada disso, mas é arriscado e você corre risco de colocar em xeque sua longevidade neste esporte. A parte mais importante dessa lição é: não somos autosuficientes. Precisamos de apoio profissional em diversas áreas e se você tem uma meta e um objetivo, deve sempre contar com ajuda.

Resiliência

Ao longo de três anos pensei em desistir todos os dias. Levantar às 4h40 para treinar, treinar de manhã e de noite, sentir dor, cançaso e ter fome de leão. Inverno e chuva também não ajudam. Ser resiliente passa ser uma obrigação, pois tudo e todos parecem conspirar contra. Você não pode se deixar abater. Você não se dá o direito de fraquejar. Sofri estresse físico e mental o tempo todo. É importante aprender a administrar o estresse. O estresse te faz crescer, te faz melhor. O estresse, por incrível que pareça, é bom e necessário.

E a sensação mais gostosa é quando a prova está chegando e você se sente pronto.

A prova é um momento de comemoração. Todo sofrimento foi nos treinos e na preparação. Prova é para ser curtida, é para ser celebrada.

Antes mesmo de cruzar a linha de chegada, passa um filme na cabeça: tudo que passou, sofreu, sorriu, treinou, doeu, todo mundo que te ajudou para isso se tornar realidade…

Cruzar a linha de chegada é um momento único e inesquecível, mas é efêmero.

O que importa é a jornada e não a conquista em si.

Quando olho as medalhas, não lembro da linha de chegada. Lembro da jornada. Os amigos que fiz, o planejamento, o investimento e a resiliência.

Muito mais do que exibir uma medalha, tenho orgulho de dizer que faço triathlon e que sou um ironman.

Challenge Florianopolis 2014

1º Ironman 70.3 – 1.9km swin, 90km bike e 21km run em 5h49. Challenge Florianopolis 2014

Pratico triathon há 7 anos. Em 2014 fiz o Challenge 70.3, em Florianópolis/SC e em 2015 fiz o Ironman 70.3 Miami.

Ironman 70.3 Miami - 2015

Ironman 70.3 Miami – 2015

9 Comments on Como o esporte pode ajudar em seu trabalho

  1. Suellen
    outubro 26, 2015 at 1:10 pm (2 anos ago)

    Parabéns Roo! Não tinha ideia de como funcionava o Ironman, e muito menos que precisava de tanto tempo para preparação! Suuucesssoooo

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    • roo
      novembro 5, 2015 at 5:17 pm (2 anos ago)

      Valeu Su!

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  2. Gregorio
    outubro 26, 2015 at 1:52 pm (2 anos ago)

    Parabéns Roosevelt!
    Pelo texto, pelas conquistas e pela inspiração.
    Dia 29/11 poderei dizer: Eu fiz 70.3 Challenge Floripa!

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    • roo
      novembro 3, 2015 at 5:26 pm (2 anos ago)

      Que ótimo Greg! Então comemoraremos em breve, certo?

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  3. Gustavo Fiorante
    outubro 26, 2015 at 2:59 pm (2 anos ago)

    Roosevelt,
    Parabéns pelo texto, descreve um pouco a rotina do esporte e quais os impactos na vida.
    Continue treinando e escrevendo.
    Abraço.

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    • roo
      novembro 5, 2015 at 5:17 pm (2 anos ago)

      Valeu Gustavo!

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  4. Bianca
    outubro 27, 2015 at 7:56 pm (2 anos ago)

    Simplesmente inspirador 🙂
    Parabéns!

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  5. Luciano Ferreira
    outubro 28, 2015 at 12:14 pm (2 anos ago)

    Parabéns Roosevelt!! Descreveu muito bem a dia a dia desse nosso esporte tão querido.
    E agora? Ironman “full” ? Abração

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    • roo
      novembro 3, 2015 at 5:25 pm (2 anos ago)

      Obrigado Luciano! Vou deixar o “full” para vc, ok? É muito tempo de preparação e é muito sofrimento. Estou bem no 70.3 😉

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